4000 bovinos sequestrados junto à fronteira

Um foco de febre catarral bovina – conhecida por língua azul – detectado em Encinasola, localidade da raia espanhola, deixou mais de quatro mil bovinos sob sequestro no lado português. As explorações de bovinos, ovinos e caprinos do concelho de Barrancos e as freguesias de Sobral da Adiça e Safara (Moura) ficam impedidas de movimentar gado, por se encontrarem num raio de 20 quilómetros em redor do foco, agravando a crise entre em tempo de seca.

As autoridades veterinárias vão agora avançar com um rastreio exaustivo nas explorações onde foi detectado o foco, procedendo-se depois a um outro rastreio por amostragem nos rebanhos que se encontram dentro dos 20 quilómetros de raio considerados.

O director-geral de Veterinária, Agrela Pinheiro, explicou ao DN que vão ser feitos todos os testes para se perceber a evolução da doença, garantindo que “a situação não é alarmante”, na medida em que todos os efectivos pecuários do lado português foram vacinados durante a campanha contra a língua azul levada a efeito nos últimos meses.

“Se os bovinos não estivessem vacinados é que a situação seria grave”, explicou, revelando que as colheitas de sangue realizadas nos animais vão ser analisadas juntamente com os insectos que foram capturados em armadilhas colocadas em locais estratégicos, sendo daí que vão sair as medidas a tomar para o futuro.

Apesar do intenso calor que se tem feito sentir, a situação climática tem sido favorável ao não desenvolvimento do vector, porque não há humidade, sendo provável que o foco detectado seja uma situação de resíduo, dado que os períodos de incubação e infecção são prolongados. Poder-se-á estar perante animais localizados em zonas de onde não tinham sido movimentados, tendo a situação sido detectada ao serem sujeitos aos testes exigidos para que possam ser movimentados livremente .

Ainda assim, o sector mostra-se preocupado com o que considera ser “mais uma machadada” nas tesourarias dos produtores. O presidente da Federação Portuguesa da Associação de Bovinicultores (FEPABO), Francisco Carolino, justificou que, em termos práticos, a zona sujeita a restrições “vai viver dias difíceis”, alegando que o ano tem vindo decorrer de forma anormal, sobretudo em termos de pastagens, já que por causa da seca, o gado não tem o que comer nos campos, obrigando os produtores a avultados investimentos para alimentarem os efectivos à mão.

Fonte: DN

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