“230 milhões de litros de leite, quase metade da produção dos Açores, é a quantidade de leite entrada por ano em Portugal, principalmente da Alemanha e da Polónia, e comercializado sob marcas da distribuição a 0,39 euros, que já levou o leite nacional a praticar o mesmo preço”, refere António Almeida, no seu habitual artigo semanal no Açoriano Oriental.
“Esta é uma informação que pode ler-se numa edição recente da Vida Económica e que traduz a fragilidade do sector face ao fenómeno de globalização dos mercados de lacticínios, num cenário de fim de quotas leiteiras.
Quando se deixar de adequar a produção ao consumo, a lei da oferta e da procura determinará os preços a serem praticados à escala mundial ou local. Portugal, ao não olhar para o sector da produção leite e lacticínios como um sector estrategicamente importante, deixando de o dotar com os meios necessários ao redimensionamento, modernização e melhoria da competitividade das explorações leiteiras, acarreta, agora as consequências: as empresas produtoras e transformadoras confrontam-se com a agressividade desmedida da concorrência internacional perdendo competitividade.
Esperemos, contudo, que a autoridade para a concorrência verifique e fiscalize eventuais actos de dumping na União Europeia e que confira se os preços praticados são reais face aos custos inerentes à sua produção.
Portugal quer agora proceder ao licenciamento das explorações leiteiras introduzindo critérios de um rigor e exigência tal que as inviabiliza, pois os investimentos necessários para cumprir com a lei são de tal ordem que sugerem aos agricultores o abandono das explorações. Caminhamos, assim, para a desertificação agrícola do país a favor terceiros.
Portugal é cada vez mais um país importador, que abdica das suas potencialidades produtivas. Neste cenário nacional, europeu e mundial os Açores devem pôr as “barbas de molho” não para assistirem impávidos ao que se está a passar, mas sim para agir em conformidade, procurando soluções para minimizar esses impactos.
Neste cenário produtores e industriais parecem estar do mesmo lado do problema, enquanto que a grande distribuição não assimila o mesmo tipo de preocupações. Se formos todos egoístas e sem visão estratégica para o futuro vamos “enterrar” a economia portuguesa com a maior das facilidades e passar a ser mão-de-obra barata para investidores e empresários estrangeiros.
Ficarão muitos consumidores satisfeitos na perspectiva de clientes compradores desses bens esquecendo-se que, entretanto, trabalham para empresas portuguesas (produtoras de bens e serviços) que lentamente fecharão as portas.”
Fonte: Anil
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