2005: Gripe das Aves, Catástrofes Naturais e Atentados Marcaram o Mundo

A ameaça de uma pandemia de gripe das aves, o sismo no subcontinente indiano, furacões no continente americano, atentados terroristas em Londres e a morte do Papa João Paulo II foram acontecimentos que marcaram o mundo em 2005.

Devido ao alastramento dos focos de gripe das aves e ao aumento do número de vítimas humanas – mais de 70, desde 2003 – gerou-se à escala mundial um clima de preocupação.

Muito embora a hipótese de uma pandemia seja tida como improvável por especialistas de renome mundial, a verdade é que os governos e as instituições internacionais competentes em matéria de saúde pública começaram imediatamente a agir como se ela pudesse eclodir a todo o momento.

Foi neste quadro que a ONU decidiu, em Setembro, dotar-se de um coordenador para a luta contra a doença, David Nabarro, um britânico considerado um dos principais especialistas em matéria de saúde pública da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Um sismo de magnitude 7,6 na escala de Richter abalou Caxemira e o norte d o Paquistão, em Outubro, fazendo 74.300 mortos, 82.000 feridos e mais de três milhões de desalojados.

Prevêem as organizações de ajuda humanitária que o número de vítimas possa aumentar devido às baixas temperaturas do Inverno e à fome.

Vítimas de uma temporada ciclónica excepcionalmente longa, que fez os centros de meteorologia e geofísica esgotarem os nomes previstos para os furacões, o s Estados Unidos revelaram-se surpreendentemente vulneráveis.

O mais forte dos ciclones, o Katrina, que atingiu o sul do país a 29 de Agosto, fez mais de 1.200 mortos, dezenas de milhares de deslocados e provocou fortes danos ao longo da costa atlântica, inundando e destruindo a cidade de Nova Orleães.

O Presidente norte-americano, George W. Bush, confrontou-se, desde que tom ou posse para o segundo mandato, a 20 de Janeiro, com o descontentamento da opinião pública, essencialmente devido ao envolvimento militar norte-americano no Iraque.

Após o Katrina, Bush registou uma queda abrupta da sua popularidade nas sondagens, por ter demorado demasiado tempo a accionar os mecanismos para enfrentar as consequências do furacão.

Na frente do combate ao terrorismo, os Estados Unidos não obtiveram grande s vitórias. Persistiram, ao longo do ano, os atentados diários no Iraque e o número de soldados norte-americanos mortos no terreno ultrapassou já os 2.000, a 25 de Outubro, data em que a imprensa norte-americana encheu páginas inteiras com as fotografias destes.

Neste momento, são 168.000 os militares norte-americanos no Iraque e Washington adiou recentemente o envio de mais tropas para substituir contingentes que regressam aos Estados Unidos, no que poderá ser o início de uma retirada.

Na Europa, 2005 ficará para a história como o ano em que o terrorismo chegou à capital britânica, com os atentados perpetrados a 07 de Julho nos transportes públicos londrinos, reivindicados pela Al-Qaida. Fizeram 52 mortos e mais de 700 feridos.

Na sequência dos atentados, a polícia metropolitana britânica, Scotland Yard, desencadeou uma caça ao homem sem precedentes que teve como primeiro resulta do a morte por engano de um cidadão brasileiro de 27 anos com oito tiros na cabe ça, numa estação de Metro de Londres.

Este ano, o prémio Nobel da Paz foi atribuído à Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) e ao seu director, Mohamed ElBaradei, pelo trabalho efectuado contra a proliferação nuclear, 60 anos após Hiroxima e quando a questão se mantém actual na Coreia do Norte e no Irão – os dois países que para os Estados Unidos integram o “Eixo do Mal”. No Irão, registou-se uma viragem para o ultraconservadorismo, com a vitória de Mahmud Ahmadinejad nas eleições presidenciais, em Junho, por uma larga margem em relação ao seu adversário, o moderado Hachemi Rafsandjani.

O presidente iraniano suscitou desde logo a reprovação da comunidade internacional, ao declarar querer ver Israel “riscado do mapa”. Já em Dezembro, o Conselho de Segurança da ONU condenou novas afirmações de Ahmadinejad, em que este negava o Holocausto e instava à deslocação de Israel do Médio Oriente para a Europa.

O primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, recentemente vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) ligeiro, foi o autor do plano de retirada unilateral de Israel de 21 colonatos da Faixa de Gaza e quatro isolados no norte da Cisjordânia, concretizado com êxito entre 15 e 23 de Agosto deste ano, apesar da resistência dos colonos.

O novo partido que formou, o Kadima, juntamente com alguns elementos saído s do Partido Trabalhista, como Shimon Peres, tenciona, caso vença as eleições antecipadas de Março de 2006, retomar a aplicação do “Roteiro” de paz, plano internacional elaborado pelo Quarteto (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia), que prevê a criação de um Estado palestiniano independente coexistindo lado a lado com Israel.

O ano de 2005 ficou ainda marcado pela morte do Papa João Paulo II, a 02 d e Abril, após 26 anos de pontificado – um dos mais longos da história da Igreja Católica – e pela escolha do cardeal alemão Joseph Ratzinger, da ala conservador a, como seu sucessor, sob o nome de Bento XVI.

No plano da justiça, há a registar o início, em Bagdad, do julgamento do e x-líder iraquiano Saddam Hussein, em Outubro, a nova ordem de prisão domiciliária do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, em Novembro, e nos EUA a execução, em Dezembro, do 1000/o condenado à morte desde a reinstauração da pena capital, em 1976.

Na sequência do escândalo provocado pela divulgação de fotografias de maus -tratos infligidos por militares norte-americanos a detidos iraquianos na prisão de Abu Ghraib, nove foram condenados. O primeiro, Charles Graner, considerado culpado por um tribunal marcial do Texas, cumprirá uma pena de 10 anos de prisão, e Lynndie England, a protagonista do caso mais mediático, depois de surgir numa fotografia a sorrir junto a um prisioneiro nu e com uma trela, foi condenada a três anos de cadeia.

Em Novembro, levantou-se uma grande polémica em torno de informações sobre a alegada utilização de aeroportos europeus por aviões da CIA (serviços secreto s externos norte-americanos) com prisioneiros islâmicos suspeitos de terrorismo para prisões secretas na Europa de leste.

No início de Dezembro, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, efectuou um périplo pela Europa para tranquilizar os dirigentes europeus, embora não tenha respondido às perguntas sobre a existências das prisões secretas, tendo-se limitado a dizer que os Estados Unidos não utilizam a tortura e são signatários das convenções internacionais que a proíbem.

Fonte: Lusa

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