A cooperativa Coamêndoa, com sede em Freixo de Numão, distribui segunda-feira 20.000 amendoeiras para plantação, com o objectivo de incentivar um sector que nos últimos anos tem estado em decadência, anunciou hoje a direcção.
Segundo Joaquim Grácio, director da Coâmendoa – Cooperativa Agrícola de Produtores de Frutos de Casca Rija, as árvores foram importadas de Espanha a pedido de 42 associados, num investimento de 60.000 euros.
“As plantas são provenientes de Espanha porque os viveiristas portugueses deixaram de apostar na sua produção, mas seria importante que o voltassem a fazer”, defende.
Segundo o mesmo responsável, são amendoeiras “auto-férteis e enxertadas , que a partir do quinto ou sexto ano já estarão a produzir em pleno”.
As novas amendoeiras serão plantadas numa área de cerca de 70 hectares dos concelhos de Vila Nova de Foz Côa, Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo, Mace do de Cavaleiros, Mogadouro, São João da Pesqueira e Penedono, adiantou.
Com esta medida, a cooperativa pretende incentivar a plantação de novos amendoais nas regiões do Alto Douro, Trás-os-Montes e parte da Beira Interior, visto tratar-se de um produto agrícola que tem um contributo muito importante no sustento das populações locais.
“A par do vinho e do azeite, acreditamos que a amêndoa é um bom sustento para o rendimento dos agricultores, visto que é uma boa alternativa à vinha não beneficiada”, considerou Joaquim Grácio.
O mesmo dirigente recordou à agência Lusa que nos últimos quinze anos se assistiu “ao arranque de quatro milhões de amendoeiras”, mas plantaram-se poucas “por falta de apoios do Estado”.
A partir de 2004, com o aparecimento de ajudas específicas atribuídas pela área de amendoal existente “os agricultores voltaram a acreditar nesta cultura que vinha sendo marginalizada”, destacou.
“Anteriormente arrancavam-se e agora estamos a plantar de novo. É o renascer da esperança e da confiança no sector, que surge como um complemento do rendimento dos agricultores”, disse Joaquim Grácio.
Com a entrega das novas amendoeiras, este responsável defende que a Coamêndoa “vai contribuir para evitar o colapso da cultura da amêndoa”, que está muito arreigada nestas populações e no momento da floração, é tida como um grande cartaz turístico.
“Queremos demonstrar à sociedade que o sector está organizado e os autarcas também têm de ver a amêndoa como um valor económico”, sustentou.
Joaquim Grácio sublinhou que neste momento não existem ajudas financeiras para as novas plantações de amendoal, mas já solicitou ao ministro da Agricultura, Jaime Silva, que “no próximo Quadro Comunitário de Apoio estejam contempla das verbas para as novas plantações”.
A amêndoa comercializada na cooperativa de Freixo de Numão – produzida nas regiões do Alto Douro e Trás-os-Montes e parte da Beira Interior – não tem problemas de escoamento, pois segundo o dirigente “o fruto entra na organização d e produtores e passados dias já está lá fora, está vendido”.
A Coamêndoa foi criada em 24 de Junho de 2004 e tem 170 associados, que na campanha deste ano produziram cerca de duas mil toneladas de miolo de amêndoa destinado aos mercados português e espanhol.
Em 2006, foi reconhecida como Agrupamento de Produtores, um estatuto que permite que os seus associados obtenham ajudas comunitárias para o desenvolvimento de novos projectos agrícolas.
Fonte: Agroportal
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