O “Talão” das compras de Angola ao exterior ultrapassou 13 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros) em 2009, mais 18,66 face a 2008, com o sector da alimentação no topo da lista das importações. Animais vidos, peixes e crustácios ocupam o pódio dos produtos alimentares e agrícolas mais importados pelo país africano. Só em 2009, Angola gastou mais de cinco mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros) nestes produtos.
As empresas portuguesas do sector – apesar de já estarem presentes neste mercado há alguns anos – ainda têm pouco peso. Mas a situação começa a mudar, devido ao actual ou futuro reforço que está previsto no plano estratégico das principais empresas da área.
A Carne Alentejana exporta carne picada para este mercado há vários anos «em pequena quantidade. A nossa vontade é reforçar a aposta, mas é um mercado que carece dos parceiros certos e leva tempo», adianta Paulo Alvito, director comercial da empresa.
A dona do atum Bom Petisco, a Cofaco, está presente em Angola há 10 anos e espera que, no final do ano, este mercado contribua com um milhão de euros para a sua facturação. O grupo exporta as marcas Bom Petisco, Bom Amigo e Bom Appetit e caracteriza o mercado angolano como «altamente competitivo, e onde o factor preço é dominante», explica fonte da Cofaco.
No segmento dos doces, a Imperial e a Vieira de Castro – dona das ‘famosas’ bolachas Maria – são alguns dos principais players portugueses a actuar em angola.
A empresa de chocolates de Vila do Conde – que comercializa marcas como a Regina, Pintarolas ou Allegro – disponibiliza «uma vasta gama de produtos em Angola. É um mercado emergente, que tem demonstrado um forte crescimento em termos de consumo», diz Manuela Tavares de Sousa, CEO da Imperial. A exportação dos produtos da empresa de chocolates representa 20 por cento do volume total de negócios, sendo Angola, Brasil, África do Sul e Venezuela os principais mercados. Por outro lado, para a Vieira de Castro, presente em Angola desde 1994, este mercado tem um peso de 6 por cento no total da facturação.
Presente no mercado angolano desde a década de 1930, a Gallo comercializa actualmente toda a sua gama standard e premium. «Apesar de não existirem números oficiais que permitam medir quotas de mercado, tudo aponta para a liderança da marca no segmento de azeites», adianta Helena Bento, directora de Exportação da Gallo.
Mais de 70 por cento da facturação da marca vem das exportações, pelo que, nos últimos anos, «reforçamos a nossa equipa com pessoas dedicadas em exclusivo a estes mercados». Para Helena Bento, Angola é «um mercado com grande potencial de desenvolvimento futuro, ainda muito dependente da distribuição informal e muito concentrado em Luanda, que estimamos representar mais de dois terços do total do mercado».
A Valente Marques – dona do arroz Caçarola e que opera em Angola desde 2008 – exporta diversos tipos de arroz de origem portuguesa, além dos sabores exóticos, bem como massas e legumes secos e cozidos. «Actualmente a distribuição dos nossos produtos efectua-se através de distribuidores de origem nacional e de origem angolana que, operando directamente neste mercado têm uma visão mais completa do seu todo», explica António Manuel Valente Marques, presidente de administração da empresa.
Carne e leite no topo da lista de compras
A maior parte dos produtos portugueses do sector alimentar exportada para Angola são animais vivos, preparações de carnes, peixes e crustáceos e lacticínios. Sicasal, Lactogal, – dona da Agros – ou Limiano são alguns dos principais exportadores.
O mercado angolano consome actualmente cerca de 25 mil toneladas de carne bovina, das quais apenas cerca de oito mil são asseguradas pela produção dos criadores do sul do país, a principal zona de criação de gado bovino em Angola.
Durante a 5ª edição da Feira Alimentícia – que decorreu no mês passado em Luanda -, o secretário de Estado para o Desenvolvimento Rural e Florestas de Portugal, Rui Barreiro, manifestou o interesse e a disponibilidade do Governo português em aumentar a cooperação com Angola na produção de hortofrutícolas e na produção animal (aves, bovinos e suínos).
«É necessário melhorar as questões inerentes à sanidade, sobretudo as redes de abate e de distribuição animal, os aspectos logísticos e de distribuição. Se Angola continuar apostar na formação, poderá ter capacidade de resposta para se tornar num país importante no contexto mundial e um grande país produtor em África», disse.
O secretário de Estado da Agricultura de Angola, Amaro Tati, reafirmou também a aposta do Governo angolano no fomento da actividade agro-pecuária, tendo em vista o aumento da produção de alimentos e a diversificação da economia do país. «O dedafio de aumentar a produção de alimentos no país deverá ser vencido com o contributo dos empreendedores do sector agro-pecuário e das associações de camponeses que apostam na mecanização da agricultura», explicou o governante, durante a inauguração da Alimentícia.
Amaro Tati referiu ainda que o governo angolano vai materializar um programa detalhado de desenvolvimento agrícola, com o objectivo de «combater os problemas de segurança alimentar, a falta de produção e melhorar o escoamento de produtos».
A 5ª edição da feira Alimentícia, organizada pela AIP-CE e pela FIL – Feira Internacional de Luanda – contou com 120 empresas das quais 60 angolanas e 23 portuguesas.
Fonte: Anil
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