Em Portugal são enterradas 10 toneladas de cadáveres de porcos por dia, embora seja proibido desde 2002. A Direcção-Geral de Veterinária fez um ultimato aos suinicultores para criarem este ano um sistema de recolha dos animais mortos.
A maioria dos cadáveres enterrados é de leitões que morrem esmagados ou vítimas de morte súbita ou outras doenças, sendo estas últimas que motivaram Bruxelas a publicar em 2002 um regulamento que tornou obrigatória a destruição dos cadáveres animais.
Em Portugal, em Abril do ano seguinte, foi criado o primeiro sistema de recolha e transporte (SIRCA), a cargo do Estado, mas o Ministério da Agricultura optou por deixar de fora os suínos.
«Ficaram de fora porque tínhamos a expectativa de que os suinicultores se auto-organizassem. Há algumas explorações que têm incineradoras e queimam aí os cadáveres, mas a grande maioria enterra os animais junto às explorações», reconheceu à Agência Lusa o director-geral de Veterinária, Agrela Pinheiro.
Na zona de Leiria, onde se concentram 400 explorações suinícolas, todos os dias são enterradas cerca de duas toneladas de cadáveres, segundo dados divulgados por David Neves, da Associação de Suinicultores da região.
O director-geral de Veterinária e o presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, Joaquim Dias, admitiram à Lusa desconhecer a quantidade de suínos enterrados em Portugal.
«Não sei quantas toneladas estão em causa, não existem dados sobre o assunto», afirmou Joaquim Dias, adiantando que Leiria é responsável por 20 por cento da produção suinícola nacional, o que lhe permite estimar em cerca de 10 toneladas diárias a quantidade de cadáveres enterrados no país.
O director-geral de veterinária reconhece que a prática dos suinicultores é contra o que diz a legislação nacional e comunitária, admitindo também que esta ilegalidade constitui um problema de saúde pública que se arrasta há vários anos.
«Reconheço que os animais enterrados podem contaminar lençóis de água ou trazer outro tipo de problemas para a saúde pública, mas essa não é uma preocupação da Direcção-Geral de Veterinária, mas sim do Ambiente. Do ponto de vista da saúde animal não é problemático que os cadáveres sejam enterrados», disse Agrela Pinheiro.
O ambientalista da Quercus Pedro Carteiro, em declarações à Lusa, considera também que a maior preocupação são as epidemias, uma vez que «o resto é matéria orgânica, sem consequências de maior para o ambiente».
A Direcção-Geral de Veterinária, numa reunião realizada no início deste ano com a Federação de Suinicultores, fez um ultimato aos suinicultores para que encontrem uma solução para a recolha e transporte dos animais que morrem nas explorações suinícolas.
«A Federação comprometeu-se a resolver o problema, sob pena de, se não o fizer nos próximos seis a oito meses, o Estado ter de estender o SIRCA aos suínos e começar a cobrar a respectiva taxa aos suinicultores», afirmou o director-geral.
O presidente da Federação dos Suinicultores adiou um pouco o prazo, especificando à Lusa ter-se comprometido a encontrar uma solução até Janeiro do próximo ano.
«O trabalho está a ser feito pelas associações de suinicultores. Ainda não sabemos quantos sistemas de recolha e transporte vão ser criados, mas deverão ser entre três a cinco», afirmou Joaquim Dias, referindo-se às zonas de grande produção suinícola de Leiria, Montijo, Norte, Alentejo e Algarve.
A recolha de cadáveres de suínos é considerada uma actividade de difícil execução, na medida em que pode colocar em causa os sistemas de biossegurança necessários para garantir que os animais se mantêm livres de doenças infecciosas.
A fácil difusibilidade de alguns agentes infecciosos é a razão que motiva a criação de mais do que um sistema de recolha e transporte, para as várias regiões do país, com o objectivo de evitar que as doenças possam passar de uma suinicultura para outra.
Fonte: Confagri
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